sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Frutos de um estado negligente


Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, foi preso em 
uma grande – e muito bem articulada – operação conjunta entre 
as polícias Militar, Civil e Federal. Os parabéns são justos e merecidos, 
especialmente aos, que com a honestidade que lhes cabe, não ousaram 
conseguir vantagens de tal situação.

Porém, os últimos fatos me fazem lembrar de coisas que 
não foram – e geralmente não são – noticiadas com tanto vigor e empenho. 
Ontem, ouvi um cabo da PM falando a TV, com muito orgulho por sinal, 
que “o meliante que tão mal fez à sociedade foi, enfim, capturado”.

Com o ‘enfim’ concordo plenamente. Afinal, há muitos anos a polícia 
sabe onde poderia tê-lo encontrado, assim como sabe onde anda 
boa parte dos criminosos, das drogas e das armas que circulam em nossas ruas. 
E se nada havia sido feito até então, a única justificativa é a falta de vontade.

Já sobre o tom da frase, eu e o cabo discordamos completamente. 
Quem ouve tais palavras, na forma como foram ditas, - e caso more, é claro, 
em Marte ou em Vênus – pode até pensar que os ‘meliantes’ simplesmente 
foram plantados no Rio de Janeiro.

Podem até esquecer que foi o próprio Estado, com o silêncio da sociedade, 
que contribuiu, e muito, para germinar tal situação, com a total ausência 
de Políticas Públicas e de investimentos para o exercício dos 
direitos básicos dos cidadãos.

E que, nessas terras sem leis e sem donos, os grupos foram 
se organizando e criando suas próprias regras, sua própria justiça e 
seus próprios meios de sobrevivência. Dá até para esquecer que onde 
o Estado não reina, o estado paralelo impera.

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