Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, foi preso em
uma grande – e muito bem articulada – operação conjunta entre
as polícias Militar, Civil e Federal. Os parabéns são justos e merecidos,
especialmente aos, que com a honestidade que lhes cabe, não ousaram
conseguir vantagens de tal situação.
Porém, os últimos fatos me fazem lembrar de coisas que
não foram – e geralmente não são – noticiadas com tanto vigor e empenho.
Ontem, ouvi um cabo da PM falando a TV, com muito orgulho por sinal,
que “o meliante que tão mal fez à sociedade foi, enfim, capturado”.
Com o ‘enfim’ concordo plenamente. Afinal, há muitos anos a polícia
sabe onde poderia tê-lo encontrado, assim como sabe onde anda
boa parte dos criminosos, das drogas e das armas que circulam em nossas ruas.
E se nada havia sido feito até então, a única justificativa é a falta de vontade.
sabe onde poderia tê-lo encontrado, assim como sabe onde anda
boa parte dos criminosos, das drogas e das armas que circulam em nossas ruas.
E se nada havia sido feito até então, a única justificativa é a falta de vontade.
Já sobre o tom da frase, eu e o cabo discordamos completamente.
Quem ouve tais palavras, na forma como foram ditas, - e caso more, é claro,
em Marte ou em Vênus – pode até pensar que os ‘meliantes’ simplesmente
foram plantados no Rio de Janeiro.
Quem ouve tais palavras, na forma como foram ditas, - e caso more, é claro,
em Marte ou em Vênus – pode até pensar que os ‘meliantes’ simplesmente
foram plantados no Rio de Janeiro.
Podem até esquecer que foi o próprio Estado, com o silêncio da sociedade,
que contribuiu, e muito, para germinar tal situação, com a total ausência
de Políticas Públicas e de investimentos para o exercício dos
direitos básicos dos cidadãos.
que contribuiu, e muito, para germinar tal situação, com a total ausência
de Políticas Públicas e de investimentos para o exercício dos
direitos básicos dos cidadãos.
E que, nessas terras sem leis e sem donos, os grupos foram
se organizando e criando suas próprias regras, sua própria justiça e
seus próprios meios de sobrevivência. Dá até para esquecer que onde
o Estado não reina, o estado paralelo impera.
se organizando e criando suas próprias regras, sua própria justiça e
seus próprios meios de sobrevivência. Dá até para esquecer que onde
o Estado não reina, o estado paralelo impera.
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